Estupro de criança revela "lado animalesco do homem" diz Marco Aurélio

Estupro de criança revela “lado animalesco do homem” diz Marco Aurélio Mello

Estupro de criança revela “lado animalesco do homem” diz Marco Aurélio Mello.

A interrupção da gravidez da menina de 10 anos, estuprada pelo tio desde os 6, está “evidentemente autorizada pela Justiça, segundo o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello.

“No caso, penso que a premissa do aborto é a única: preservar a vida da criança” disse o magistrado à BBC News Brasil nesta segunda-feira.

A equipe médica do Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros no Recife (PE), concluiu procedimento de interrupção de gravidez da menina de 10 anos que foi estuprada em São Mateus, interior do Espírito Santo.

Segundo o médico Olímpio Barbosa de Morais Filho responsável pelo procedimento, a criança deve retornar ao Espírito Santo na quarta-feira (19).

O procedimento, determinado pela Justiça Capixaba, consistiu em um primeiro momento, na injeção de medicamento para levar o feto a óbito. Ainda na noite deste domingo (16) e na madrugada desta segunda-feira (17) teve início a segunda etapa, que foi indução da expulsão do feto, também feito por medicamento.

De acordo com documento obtido por A Gazeta, a criança estava grávida de aproximadamente 22 semanas após ter sido estuprada pelo tio. Ele tem 33 anos e está foragido.

A menina chegou a ser internada no Hospital das Clínicas, em Vitória, mas uma equipe médica se recusou a fazer o aborto autorizado pela Justiça, alegando que, “a idade gestacional não está amparada na legislação vigente.”

Por isso, foi levada ao Recife, que tem protocolo médico mais amplo para interrupção de gravidez. O juiz Antonio Moreira Fernandes que atendeu o pedido do Ministério Público Estadual e ordenou a interrupção da gravidez, disse que “é legítimo e legal o aborto acima de 20 e 22 semanas no caso de gravidez decorrente de estupro, risco à vida da mulher e anencefalia fetal”.

Na decisão, o juiz concluiu que “a vontade da criança é soberana ainda que se trate de incapaz, tendo a mesma declarado que não deseja dar seguimento à gravidez fruto de ato de extrema violência que sofreu.”

Um dos profissionais que atendeu a criança relatou, na decisão judicial que, “ela apertava contra o peito um urso de pelúcia e só de tocar no assunto da gestão entrava em profundo sofrimento, gritava, chorava e negava a todo instante, apenas reafirmando não querer”.

Além da criança, familiares também foram favoráveis à interrupção da gravidez.

Depois do aborto, movimentos pró-vida e militantes bolsonaristas acionavam o Judiciário na tentativa de reverter a decisão judicial, a criança, que disse que não queria ter o bebê e foi apoiada por parentes. Foi levada para o Recife.

A criança estava no centro cirúrgico quando um grupo de católicos começou a chamar os membros da equipe médica de assassinos em um protesto em frente ao hospital.

A manifestação aconteceu depois que a extremista Sara Winter divulgou no domingo, o nome da menina e o endereço do hospital.

Em caso de estupro de vulnerável, o aborto já é previsto no Código Penal brasileiro desde 1940.

Em entrevista à BBC News, Marco Aurélio classificou como “impensável” o abuso sofrido pela criança.

“O quadro revela o perfil animalesco do homem” disse o ministro do STF – “Uma gravidez nunca vista com 10 anos estarrece

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